O Ministério Público do Trabalho no Espírito Santo (MPT-ES) lançou oficialmente, no dia 9 de julho, a campanha “Diferenças que Somam”, uma iniciativa pioneira que busca dar visibilidade às pessoas com deficiência no mundo do trabalho, combater o capacitismo e ampliar a discussão sobre inclusão de forma transversal. O evento, realizado na sede do Tribunal Regional do Trabalho (TRT), em Vitória, lotou o auditório ao reunir representantes do governo federal, estadual e municipal, além de instituições, empresas, sociedade civil e protagonistas da causa.
A programação contou com um robô (via chatbot) que permitia a interação dos participantes com as peças da campanha. Já na estreia, a campanha obteve a adesão de diversas instituições e empresas, ao marcar um compromisso coletivo com a promoção de oportunidades reais. Empresas, órgãos públicos e organizações da sociedade civil podem aderir à campanha acessando o site oficial — www.diferencasquesomam.com.br — onde estão disponíveis materiais de comunicação acessíveis e orientações para se engajar ativamente na causa.
Dados
O Instituto Jones dos Santos Neves (IJSN) apresentou dados inéditos do Censo 2022, revelando que mais de 7% da população capixaba com dois anos ou mais tem algum tipo de deficiência. A maior incidência está entre mulheres e idosos. O estudo apontou também os baixos índices de escolarização e os altos percentuais de analfabetismo nesse público, reforçando a urgência da inclusão. “A apropriação dessas informações, combinada à vontade pública e à participação da sociedade, é fundamental para que possamos construir políticas inclusivas eficazes no nosso estado”, afirmou Antônio Ricardo, diretor de Interação Institucional do IJSN.
Participantes
Entre as autoridades presentes, a Secretária Nacional dos Direitos da Pessoa com Deficiência, Anna Paula Feminella, destacou o impacto simbólico de uma campanha que leva para as ruas e para as telas o protagonismo das pessoas com deficiência. Ela lembrou que historicamente, essas pessoas foram tratadas como invisíveis, ou no máximo mencionadas como “etc.”, mas agora assumem lugar central nas decisões. “A condição de deficiência ainda é vista pela sociedade como tragédia. Mas essa história está mudando. Campanhas como essa mostram que não queremos mais estar à margem — queremos estar no centro, como sujeitos de direitos”, declarou. A secretária também anunciou a adesão do Espírito Santo ao programa federal “Viver Sem Limite”, que articula políticas intersetoriais em todo o país, e defendeu a interiorização dessas ações: “Queremos voltar ao Espírito Santo para ver os 78 municípios engajados nesse pacto pela equidade.”
A procuradora do Trabalho Fernanda Barreto Naves, vice-coordenadora nacional da Coordenadoria de Promoção da Igualdade de Oportunidades e Eliminação da Discriminação no Trabalho (Coordigualdade), conduziu o evento e celebrou os três anos de construção da campanha, idealizada com base na escuta de pessoas com deficiência e reabilitadas. Para ela, a maior barreira à inclusão ainda é a barreira atitudinal — aquela que nasce do preconceito, da falta de convívio e da negação das capacidades das pessoas. “A pessoa com deficiência não precisa de caridade, precisa de oportunidade. A campanha propõe exatamente isso: visibilidade, protagonismo e dignidade. Não é sobre falar pelas pessoas com deficiência — é sobre falar com elas e garantir que estejam onde quiserem estar”, reforçou.
Representando o Governo do Estado, o Subsecretário de Políticas de Inclusão da Pessoa com Deficiência da Casa Civil, João Bosco, apresentou ações em andamento como o Serdia, voltado ao acolhimento de pessoas com autismo, as salas de recursos multifuncionais nas escolas estaduais e a criação do Comitê Gestor Intersetorial para mapear políticas públicas e propor melhorias integradas. Ele defendeu que a participação social é essencial para que as iniciativas não sejam feitas “de cima para baixo”. “Quando conseguimos mobilizar todos os entes — Estado, municípios, entidades e pessoas com deficiência — começamos a sair da invisibilidade. E a invisibilidade talvez seja a forma mais cruel de preconceito que ainda enfrentamos”, disse.
João Bosco também apresentou o aplicativo da Central de Intermediação em Libras (SIL), que agora permite o uso direto pelo celular em qualquer lugar do estado, de forma a facilitar o atendimento da comunidade surda em situações cotidianas. Outra novidade foi a previsão da criação de conselhos municipais de inclusão — atualmente presentes em apenas 20% das cidades capixabas — e a futura aquisição de uma van adaptada para o Conselho Estadual da Pessoa com Deficiência, fortalecendo sua atuação territorial.
Adesão
A campanha “Diferenças que Somam” já está nas ruas e nas redes com a mensagem de que a diversidade não é obstáculo, é potência. O site oficial disponibiliza todos os materiais para livre acesso e replicação. Qualquer instituição pode aderir e participar ativamente desse movimento por meio do link www.diferencasquesomam.com.br.










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