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Mas, afinal, o que é a Campanha Diferenças que Somam?

A iniciativa visa incentivar a participação ativa das pessoas com deficiência nos mais diversos âmbitos sociais, econômicos, jurídicos, políticos e culturais

O fortalecimento da democracia passa pela luta por melhores condições de vida para todas as pessoas. Contudo, as desigualdades existentes em nossa sociedade dificultam essa jornada, o que impede que grupos sociais vulnerabilizados, como pessoas com deficiência, tenham pleno acesso aos direitos e garantias fundamentais.

Muito dessa realidade se deve às práticas discriminatórias como o capacitismo, que impõe desafios e obstáculos para a participação ativa das pessoas com deficiência nos mais diversos âmbitos sociais, econômicos, políticos, jurídicos e culturais.
Dados

Um levantamento do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), divulgado em maio deste ano, aponta que o Brasil tem 14,4 milhões de pessoas com deficiência, o que representa 7,3% da população com dois anos ou mais. Além disso, foram identificadas 2,4 milhões de pessoas com autismo, dados coletados pela primeira vez. Os números são parte de informações preliminares da amostra do Censo Demográfico de 2022.
A pesquisa do IBGE também indica que as mulheres com deficiência somam 8,3 milhões, e os homens, 6,1 milhões. Em 16% dos domicílios recenseados, havia pelo menos um morador com deficiência – no Sudeste, esse percentual é de 14,7%. Do total de pessoas com deficiência no país, a deficiência visual é a mais comum, seguida por dificuldades de locomoção, coordenação motora, funções mentais e auditiva.

Diferenças que Somam

A trajetória das pessoas com deficiência para ocupar um lugar na sociedade é histórica e se mistura à de outros tantos movimentos que buscam o reconhecimento de seus direitos. Por isso, ao trazer a Campanha Diferenças que Somam, o Ministério Público do Trabalho no Espírito Santo (MPT-ES) visa contribuir para a conquista de espaços e oportunidades em ambientes vitais da sociedade, como no mercado de trabalho, na educação e nas ações políticas.

Por isso, a Campanha traz a proposta de dar visibilidade às pessoas com deficiência com o intuito de conscientizar e sensibilizar empresas e sociedade sobre a importância da inclusão desse grupo. Ao montar uma exibição de painéis com acessibilidade, o público terá a oportunidade de conhecer personagens que representam a diversidade de formas de estar no mundo, de se comunicar, aprender e socializar.

Segundo Fiona Kumari Campbell, professora sênior na Escola de Educação e Serviço Social da Universidade de Dundee na Escócia, “não reproduza crenças, processos e práticas que normatizam um certo padrão corporal como perfeito, sem considerar a corporeidade de todas as pessoas”.

Início

Em 2022, após um acordo em ação judicial na qual a empresa estava descumprindo a Lei de Cotas para pessoas com deficiência, as Assessorias de Comunicação (Ascom) e Relações Públicas (RP) da Procuradoria Regional do Trabalho (PRT17) da 17ª Região foram convidadas, pela procuradora oficiante, a desenvolver uma campanha publicitária a fim de valorizar as pessoas com deficiência e reabilitadas com foco direcionado a aspectos do mercado de trabalho.

Após uma reunião com várias agências de publicidade e propaganda associadas ao Sindicato das Agências de Propaganda do Estado do Espírito Santo (Sinapro), oito agências foram envolvidas na concorrência e apresentaram suas propostas. Os trabalhos foram analisados por 16 jurados divididos em três grupos de avaliação: integrantes do MPT-ES; pessoas com deficiência e pessoas ligadas ao segmento; e assessores ou analistas de Comunicação do MPT de outras Regionais.

Após os jurados realizarem a validação das propostas, as notas foram compiladas e o mote “Diferenças que Somam” foi o escolhido, baseado no protagonismo das pessoas com deficiência. Para isso, a campanha destacou personagens com diferentes tipos de deficiências: visão monocular, paralisia cerebral, deficiência visual, pessoa reabilitada, pessoa que utiliza cadeira de rodas, surdez, Síndrome de Down e nanismo.

A procuradora do Trabalho, vice-coordenadora nacional e coordenadora regional (MPT-ES) da Coordigualdade, relembra: “A inclusão é dever de toda a sociedade, e a primeira barreira a ser quebrada é a atitudinal. É necessária uma mudança de cultura, de modo a efetivamente eliminar o preconceito, fortalecendo a solidariedade social, a tolerância e o respeito às diferenças”.

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